PROVINCIA NOSSA SENHORA RAINHA ANGOLA-SAO TOME PRÍNCIPE-MOÇAMBIQUE

Misión

Comunidade Teresiana do Canhe – HUAMBO

Esta comunidade, a mais antiga que ficou depois de fechadas as outras por motivos de guerra, foi fundada a 28 de Março de 1952 pelas Irmãs Maria dos Prazeres Coelho ( e.p.d.), Maria Ferreira da Silva (e.p.d.), vindas da Missão da Bela Vista para tomarem posse da casa que o Sr. Engenheiro Guimarães cedeu generosamente às Irmãs, a fim de fundarem a Missão Feminina de Santa Cruz do Canhe. Poucos dias depois chegaram as Irmãs Lucinda Antunes Araújo e Isaura Henriques.

As Irmãs foram enviadas pela Madre Superiora Geral Henriqueta Sans, de acordo com a Irmã Provincial Brígida Pérez., com quem D. Daniel Gomes Junqueira (e.p.d.) concertou a fundação , segundo as seguintes bases:- " O Sr. Bispo estipulará a quantia de 3.000,00 escudos mensais para as Irmãs poderem atender as suas necessidades de alimentação, vestuário e outros gastos próprios das Irmãs. Por sua vez as Irmãs devem cuidar da roupa da Igreja e do pessoal missionário e da instrução da meninas e meninos, bem como ao atendimento do dispensário".

No dia 14 de Maio do mesmo ano abriram-se as aulas e o dispensário. De manhã tinham aulas só os meninos ( uns 300) com a ajuda de 2 professores e à tarde umas 195 meninas, logo no primeiro ano. No dia 30 de Junho celebrou-se a primeira missa pelo Padre Celestino Belo, confessor ordinário da comunidade, dirigindo às Irmãs " palavras de fervoroso zelo e conforto " A partir deste dia ficou sempre connosco o Prisioneiro de amor, o Amigo das criancinhas, o Esposo das almas puras ".

No dia 4 de Julho a comunidade começou a ter água corrente e luz.

A promoção da mulher esteve sempre nos projectos e programações desta comunidade. Muitas alunas se formaram em culinária, Corte e costura e bordados. Faziam-se grandes exposições de trabalhos neste campo e eram visitadas por muita gente. No dia 10 de Junho de 1970 a exposição foi visitada por casal de Nova York "que ficou muito admirado com a secção de corte e costura e bordados. As Irmãs ofereceram à senhor um jogo de panos de louça bordados pelas alunas.

Em 27 de Setembro de 1970, celebrou-se nesta Missão com toda a solenidade possível a proclamação de Santa Teresa como Doutora da Igreja Universal. A missa celebrada na Sé Catedral foi presidida pelo Administrador Apostólico P. Delfim da Silva Pedro, pois D. Daniel tinha falecido precisamente dia 29 de Junho. Dee todas as comunidade da Província vieram muitas Irmãs e alunos/as -das imissões e escolas de Magistério da Bela Vista, do Vouga, da missão do Balombo e do Colégio da Bela Vista. Os ensaios para a celebração eucarística estiveram a cargo do Padre Zacarias Kamwenho - actual Arcebispo de Lubango e Presidente da CEAST. Entre os convidados figuram as autoridades eclesiásticas e civis. " Depois da Missa houve almoço servido pelo Hotel Avis, numa das salas da --escola-da Missão. No fim da tarde Irmãs e alunos/as regressaram às suas respectivas casas.

Em Novembro de 1972 iniciou-se com a construção do edificio para a formação feminina. Esta obra que formou tantas meninas, foi várias visitada por altas individualidades religiosas e civis.

O diário desta casa deixou de ser escrito em 27 de Fevereiro de 1975. Com as confrontações e a entrada do MPLA que provocou a saída de algumas Irmãs por algum tempo, a casa foi saqueada.

A reabertura da comunidade fez-se no dia 11 de Setembro de 1977 a pedido de D. Manuel Franklin da Costa, Arcebispo do Huambo. Durante a missa na paróquia, o Sr. Arcebispo apresentou as Irmãs ao povo e pediu que este as acolhesse e respeitasse porque estavam para eles. Depois da missa houve almoço de confraternização na casa do Pároco.

À tarde houve uma reunião com os jovens, presidida pelo Sr. Arcebispo, e nela participaram as Irmãs Alicia Aguilar e Maria Carlota. Estas passaram a primeira noite na missão, num dos quartos da formação feminina, pois a casa das Irmãs ainda estava por reconstruir: vidros partidos, portas sem fechaduras... "Foi uma noite muito agitada. Por um lado muitos tiros e rajadas e por outro lado muitos ratos." Foi assim que recomeçou novamente esta missão feminina do Canhe.

No dia 1 de Dezembro de 1982 começou a funcionar aqui o Juniorado, sendo Mestra a Irmã Mercedes G~es. Foi uma decisão tomada após a visita da Madre Geral Maria del Pilar Feliú pois verificou que as juniores estavam a assumir grande parte das actividades pastorais. De facto, a saída -das irmãs, umas para as suas terras de origem e outras por abandono da Companhia, fez com que as Irmãs juniores fossem logo para as comunidades a seguir à profissão.

           Em 1992 foi nos devolvida a escola que, como todas as outras da Igreja, tinha sido confiscada e nacionalizada pelo governo. Depressa a alegria de termos de novo a escola ficou obscurecida.

No dia 4 de Dezembro desse mesmoano, pelas 22,45 horas foi cruelmente assassinada a nossa querida Irmã Maria de Lurdes Aguiar com os seus 72 anos de idade. A nossa casa foi assaltada por bandidos e a vítima foi a nossa Irmã, uma das 5 fundadoras da Companhia em Angola. A dor, o sofrimento e o luto envolveram a comunidade e a toda a família teresiana. O corpo da nossa Irmã -exposta na Igreja mia Missão , porque em casa não havia espaço devido a afluência de muita gente,

Esteve acompanhado de multidões de fiéis e missionários em oração de dia e de noite. Sentimos e experimentamos muita solidariedade das Congregações religiosas, autoridades eclesiásticas e civis, antigos/as alunos/as. Foram momentos inesquecíveis.

           De vários lugares foram chegando Irmãs e outras pessoas para rezar e render a última homenagem à Irmã Aguiar, como era chamada. No dia 6, depois de uma missa presidida pelo Sr. Arcebispo D. Francisco Viti e concelebrada por muitos sacerdotes, fomos sepultar a nossa querida Irmã fundadora no cemitério municipal de S. Pedro. Não faltaram discursos de agradecimento e elogios fúnebres proferidos por antigos/as alunos/as. No meio da dor fica o conforto de terem ficado cá os restos mortais daquela que deu a vida pelo povo de Angola. Exemplo de vida toda ela consumida pelo amor ardente a Jesus e zelo pela salvação das almas.

Em Janeiro de 1993, pelas 14 horas iniciaram os fortes combates entre as forças militares do Governo e da Unita. A cidade do Huambo entrou em pânico e a comunidade também que ainda não se tinha recuperado do abalo sofrido pela morte da Irmã Lurdes. Foi o início de uma guerra que durou 45 dias sem tréguas. A cidade ficou destruída, muitos mortos e feridos com consequência do uso das armas pesadas e bombardeamentos aéreos.

Dia 6 de Março houve grandes bombardeamentos aéreos: duas bombas foram lançadas sobre o mercado que ficava a uns 500 metros da nossa casa, ficando esta sem vidros. Muita gente morreu ficando sem pernas, sem braço e sem cabeças; a terceira bomba caiu no nosso campo e destruiu a casa de um trabalhador. Graças a Deus não estava ninguém lá. Foi mais um dia marcado pela dor, sofrimento e luto. As Irmãs fizeram tudo para dar os primeiros socorros e levar os feridos ao hospital que também se encontrava em péssimas condições. Graças a Deus, nesse dia cessaram os terríveis combates.

Foram dias intermináveis e duríssimos; cada momento que passava parecia o último; experimentamos o medo, a insegurança, a desolação e o isolamento. Mas no meio de tudo foi grande a Providência de Deus a guardar e a proteger as nossas vidas. Foi um autêntico milagre que não tenha sucumbido ninguém. Retirou-se a tropa do governo e ficou a Unita.

Em Outubro de 1994 as Juniores começaram a viajar para Luanda onde estiveram enquanto se construía o novo edificio em Viana. Em Novembro do ano seguinte , com a entrada das tropas do governo, de novo o medo e a incerteza se apoderam das Irmãs e do povo. Graças a Deus não houve muitas mortes.

Em 1999 as aulas foram interrompidas de vez em quando por causa dos bombardeamentos. Quem passou pelo Canhe experimentou na carne o que é viver em tempo e momentos de guerra. Nestes últimos anos tem -se experimentado uma certa instabilidade apesar das dificuldades. As Irmãs - Maria Rosa Sánchez, Alicia Aguilar, Regina Maria Rodrigues Tchokuvala, Maria Domingas Valemela, Rosalinha Nahembi, Josefa Kasinde, Francisca Mutuli e Bernarda Tchimuma - que actualmente formam a comunidade, para além das aulas e da formação de professores e algumas Irmãs estarem a estudar, atendem a pastoral paroquial, formação feminina, MTA, acompanhamento a 49 internas pobres, atendimento às crianças desnutridas e velhos dando-lhes uma refeição por dia com a ajuda do PAM, e assistência espiritual e material aos presos com a ajuda de algumas antigas alunas.

  
Irmã
s                                                                           missa

  
Festa no patio 

  
Centro Nutricionista

Comunidade Teresiana de Cacilhas – HUAMBO

 No dia 7 de Setembro de 1971, acompanhadas pela Irmã Provincial, chegaram da Missão da Bela Vista, as Irmãs Professas, Noviças e Pré-noviças, para esta nova, grande e bonita casa. Vieram em dois carros conduzidos pelos padres Adélio Ribeiro Lopes, missionário espiritano ( e.p.d.), e Zacarias Kamwenho, actual Arcebispo de Lubango e Presidente da CEAST.

            O lanche e o jantar desse dia foram preparados com muito carinho pelas Irmãs da comunidade do Canhe e trazidos com muita alegria pela Irmã Superiora Matilde Mucientes. Como acontece com todos os princípios, também aqui as Irmãs só tinham para mesa do jantar dois caixotes cobertos de alguns plásticos a servir de toalha. No dia seguinte, num ambiente de festa, celebrou-se a primeira Eucaristia ficando para sempre Jesus Sacramentado na Casa Provincial e Noviciado.

No Huambo, desde 1975 que as Irmãs e o povo conheceram e viveram sempre um clima de tensão e violência provocada pela situação político - militar que culminou numa guerra que ceifou vidas e destruiu estruturas materiais. Nesse ano, as Noviças passaram um tempo na missão da Bela Vista, visto que a casa tornou-se lugar de passagem e hospedagem de muitos missionários que tiveram que abandonar as suas residências e lugares de missão por causa do terror provocado pelas confrontações entre partidos armados.

Em todos os momentos as Irmãs experimentaram fortemente a protecção de Deus. È o caso do dia 10 de Maio de 1990 como se conta que, " durante a noite, houve grande ataque no nosso bairro do Bom Pastor; desta vez a nossa casa Provincial e Noviciado foi atingida: um obus de proporções consideráveis caiu sobre o telhado, na parte central do edificio causando danos materiais: 30 chapas de lusalite e muito vidros; a mão do Senhor está connosco: Se, como parece óbvio, o artefacto tivesse ficado a placa, um grupo de noviças teria sofrido pois, nesse preciso momento, passavam pela galeria do 1° andar para se refugiarem, como habitualmente, no corredor da Província. A missa de hoje foi de especial acção de graças porque o Senhor guardou as nossas vidas".

Em 1993, durante os 55 dias de fortes combates, também a nossa casa serviu de acolhimento ao povo e missionários que fugiam das casas sem nada. Apesar de ser atingida por algumas balas perdidas e morteiros e ter sido fortemente abalada pelas bombas que caiam perto, ficando alguns quartos sem vidros, ninguém sofreu fisicamente, graças a Deus. Esta situação fez com que em 1995 o Noviciado passasse para Lobito - Santa Cruz por uns meses. No ano seguinte, voltou de novo para Huambo até 1999 e daqui para Lubango até ao presente. Pelos mesmos motivos e mais a dificuldade de comunicação, a casa provincial deixou de ser Huambo e passou para Viana.

Actualmente a comunidade é formada por 6 Irmãs; umas estudam e as outras colaboram na nossa escola do Canhe, atendem à pastoral do Centro do Bom Pastor, MTA, à formação das aspirantes à Companhia . A casa está aberta para acolher missionários e não só, quer para retiros e reuniões, quer para uns dias de descanso para quem necessita.

Esta casa que acolheu e continua a acolher tantas Irmãs da Companhia, tantos missionários e muitas outras pessoas que por ela vão passando, foi construída com gosto e visão de futuro. É com carinho e gratidão que as Irmãs recordam a Madre Superiora Geral Pilar Suarez-IncIan e a Irmã Elena Tarragó, na altura Ecônoma Provincial. Para todas constitui a Casa - Mãe, pois aqui se formaram quase todas as Irmãs da Província.


Irmãs

  
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